Como funciona a partilha de bens no divórcio:
- GABRIELI NOVAES
- 12 de nov.
- 3 min de leitura
A partilha de bens é um dos pontos que mais geram dúvidas e tensão no divórcio. Cada casal tem uma realidade própria, e a divisão do patrimônio depende diretamente do regime de bens escolhido no casamento, das provas existentes e das circunstâncias da união. Compreender como a lei trabalha em cada situação ajuda a reduzir conflitos e evita prejuízos.
1. Comunhão parcial de bens: o regime mais comum
Regime aplicado automaticamente no Brasil quando o casal não escolhe outro. Funciona com a divisão igualitária de tudo que foi adquirido durante o casamento.
O que é partilhável:
• Imóveis comprados após a data do casamento
• Veículos adquiridos na constância da união
• Saldo de investimentos, contas conjuntas e aplicações
• Crescimento patrimonial de empresas criadas no período
• Bens financiados (divide-se o que já foi pago e também o saldo devedor)
O que fica fora da partilha:
• Bens exclusivos anteriores ao casamento
• Heranças e doações recebidas por um dos cônjuges
• Indenizações de caráter pessoal
• Bens que não representam esforço comum
Exemplo: Um carro foi financiado por apenas um dos cônjuges durante o casamento. Mesmo que o contrato esteja no nome de uma única pessoa, o bem entra na partilha em 50% para cada um.
2. Comunhão universal de bens
Nesse regime, praticamente todo o patrimônio é comum. Entram na divisão bens anteriores ao casamento, bens adquiridos durante a união e valores recebidos de forma gratuita.
Entram no patrimônio comum:
• Imóveis adquiridos antes e durante o casamento
• Dinheiro em conta individual
• Empresas já existentes antes da união
• Heranças e doações, exceto quando o doador impõe cláusula de incomunicabilidade
3. Separação total de bens
Cada cônjuge mantém seu patrimônio de maneira independente. A regra é que nada se comunica. É um regime de proteção patrimonial.
Exceção jurídica: A Justiça, em alguns casos, admite partilha se houver prova robusta de que o outro cônjuge contribuiu financeiramente ou com trabalho direto para a construção de um patrimônio.
Exemplo: A esposa, mesmo sem estar no contrato social, trabalhou integralmente na empresa do marido, contribuindo para sua expansão. O juiz pode reconhecer esforço comum e determinar partilha parcial.
4. Separação obrigatória de bens
Aplica-se por imposição legal, como quando um dos noivos tem mais de 70 anos ou quando há necessidade de suprimento judicial para o casamento. Neste regime, a súmula 377 do STF estabelece que os bens adquiridos durante o casamento podem ser partilhados, se comprovado esforço comum.
5. Como ficam dívidas no divórcio
A partilha não abrange apenas bens, mas também dívidas.
Responsabilidade depende do regime:
• Comunhão parcial: dívidas contraídas para benefício da família são divididas
• Comunhão universal: dívidas de qualquer natureza costumam ser partilhadas
• Separação total: cada um responde pelo que está em seu nome
Exemplo: Um empréstimo feito para reforma da casa onde a família mora é compartilhado. Já um empréstimo feito para uso pessoal, sem benefício ao casal, pode ser excluído.
6. Previdência privada e partilha
• PGBL: valores acumulados durante o casamento tendem a ser partilháveis
• VGBL: geralmente é tratado como seguro pessoal e pode ficar fora da divisão, dependendo de análise do caso
7. Como são avaliados os bens
A avaliação pode ocorrer de duas formas:
• Por acordo entre as partes
• Por perito nomeado judicialmente
O valor de mercado no momento da partilha é o que costuma prevalecer.
8. Como funciona a partilha em divórcio consensual e litigioso
Consensual: O casal entra em acordo sobre tudo. Pode ser feito em cartório, desde que não haja filhos menores. É mais rápido e econômico.
Litigioso: A partilha é decidida pelo juiz. Exige provas, perícias e tende a demorar mais, especialmente quando há desacordo sobre valores ou origem dos bens.
9. União estável e partilha
A união estável segue, por padrão, o regime da comunhão parcial, salvo contrato escrito em sentido diverso.
10. Por que buscar orientação jurídica
A partilha influencia diretamente o futuro financeiro de cada ex-cônjuge. Um acompanhamento jurídico evita decisões precipitadas, organiza os documentos necessários e identifica direitos que muitas vezes a pessoa desconhece.
Se você está passando por um divórcio ou precisa esclarecer a divisão dos bens do casal, a orientação profissional garante segurança e tranquilidade para seguir adiante.



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